De férias no litoral de Santa Catarina, em São Francisco do Sul, onde vai passar o Réveillon, o presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciou, nesta segunda-feira (27), a decisão de não vacinar a filha, Laura, que tem 11 anos, contra a Covid-19. Anteriormente, o presidente havia dito que, antes de tomar uma decisão, a questão seria discutida com a primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Nesta segunda, no entanto, o presidente confirmou que Laura não será vacinada. "Espero que não haja interferência do Judiciário, porque a minha filha não vai se vacinar, [quero] deixar bem claro", afirmou, referindo-se ao STF (Supremo Tribunal Federal).  O presidente havia sido questionado sobre a vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19, autorizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas alvo de hesitação e críticas por parte do Executivo. O próprio ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que a pasta iria autorizar a vacinação, mas mediante prescrição médica e termo de consentimento livre esclarecido, medidas que podem atrapalhar uma campanha ampla.


Nesta segunda, porém, o Ministério da Saúde informou que a vacinação de crianças contra a Covid-19 pode começar ainda em janeiro de 2022.

A única vacina a ser aplicada em crianças é desenvolvida pela Pfizer. Bolsonaro afirmou que em 5 de janeiro Queiroga deve anunciar como será a vacinação de crianças. A questão passa por consulta pública no momento, algo que não ocorreu quando a vacinação foi anunciada para outras faixas etárias. No último dia 24, a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) divulgou um manifesto no qual defende a vacinação de crianças contra a Covid-19.

Bolsonaro afirmou que a própria nota da Pfizer diz que, a cada um milhão de crianças dessa faixa, uma faleceu, e que em torno de 179 têm chance de contrair uma doença cardíaca. "A vacina da criança é muito incipiente ainda, o mundo ainda tem muita dúvida. A decisão passa, obviamente, pelo Ministério da Saúde e, após consulta pública, [a pasta] vai se manifestar no dia 5 de janeiro", afirmou. Na semana passada, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski deu cinco dias ao governo para que explique a necessidade de prescrição médica para aplicar vacina contra a Covid-19 em crianças entre 5 e 11 anos de idade. O pedido de informação se deu no âmbito de uma ação protocolada pelo partido Rede Sustentabilidade.