A Polícia Federal intimou, nesta terça-feira (14), o presidente Jair Bolsonaro a depor no inquérito que apura o vazamento de documentos sigilosos da investigação sobre um ataque hacker aos sistemas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2018.

Em 4 de agosto deste ano, Bolsonaro publicou nas redes sociais documentos relacionados a um inquérito da PF sobre um ataque cibernético contra o site do tribunal. Na época, ele alegou que a investigação era uma evidência de fraudes no pleito em que foi eleito presidente da República. O R7 entrou em contato com a assessoria de imprensa da Presidência da República e aguarda o retorno.

No dia seguinte ao da live, o presidente afirmou, sem mostrar provas, que a Justiça Eleitoral havia apagado os registros da invasão hacker ao sistema. “É a mesma coisa de ter ocorrido um crime. Você ter um corpo no chão e, quando vai colher as digitais, o perito apaga todos os locais que poderiam conter essas digitais. Isso é uma obstrução da justiça. É crime”, avaliou Bolsonaro. O presidente também atacou o ministro Luis Roberto Barroso, presidente do TSE, e disse que não havia mais como "acreditar que as urnas são invioláveis". De acordo com o tribunal, a investida criminosa não pôs em risco a integridade das eleições. 

Informações sigilosas

A investigação foi autorizada em agosto pelo STF a pedido do TSE. Na ocasião, o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, determinou o afastamento do delegado federal Victor Feitosa e fez requerimento para que a Polícia Federal instaurasse processo administrativo disciplinar para apurar possível “divulgação de segredo” por parte do profissional.

Na ocasião, todos os ministros da Corte Eleitoral assinaram a medida que pediu abertura de investigação sobre a atitude do presidente. "Há indícios, portanto, de que informações e dados sigilosos e reservados do Tribunal Superior Eleitoral tenham sido divulgados, sem justa causa, inicialmente pelo delegado de Polícia Federal, e, na sequência, pelo deputado federal Felipe Barros e pelo presidente da República, Jair Messias Bolsonaro", afirma o documento.